O décimo sétimo e último álbum de estúdio da banda estadunidense Megadeth, homônimo, foi lançado pela gravadora Frontiers no dia 23 de janeiro de 2026 nos formatos digital e físico em CD e em vinil. Esse trabalho chega com um peso simbólico enorme pois se trata do registro de despedida de uma das bandas mais influentes do gênero musical thrash metal. Tal fato reflete diretamente no som, nas letras e na crítica.

01 Tipping Point: Música de abertura com base simples, bateria rápida que estabelece um ritmo constante que precede um solo mais contido e suave. Ouvidos mais atentos perceberão referências rítmicas de Peace Sells… but Who’s Buying, Rust In Peace e o mais recente Thirteen, respectivamente o segundo, quarto e décimo terceiro álbuns de estúdio. Destaque para o refrão que assume um tom mais sombrio no final da canção..
02: I Don’t Care: Uma das músicas que mais destoam de todo o catálogo. Aspectos do gênero musical punk rock com vários versos repetidos com solos de guitarra entre as estrofes. Uma inclusão que provavelmente desagradou os fãs mais ortodoxos mas que com potencial de atrair novos fãs para a banda.
03 Hey God?!: Diferente do thrash metal agressivo que consagrou a banda, a canção desacelera o ritmo para dar espaço a uma atmosfera mais melancólica e reflexiva. Com cerca de três minutos e meio de duração, a música apresenta menos na velocidade e mais na construção emocional vom bases marcantes e uma pegada mais contida e madura.
04 Let There Be Shred: Uma faixa mais pesada em espírito e mais leve na execução em determinados momentos com mudanças bruscas que acompanham a mentalidade de retorno às raízes como no álbum de estréia. Percebe-se uma energia agressiva e jovem alimentada por fúria e raiva que se manteve fiel à sua essência por quatro décadas.
05 Puppet Parade: A música começa lenta com a produção que parece comprimida mas que na sequência estabelece uma melodia cativante que lembra o quinto item do catálogo. A inspiração para a letra é questionável e essa canção é a mais melódica do álbum, com interessantes mudanças artísticas de estilo.
06 Another Bad Day: Música que remete ao estilo característico da banda com vocais contidos e sem maiores destaques.
07 Made To Kill: A bateria abre o caminho para um riff de guitarra denso, pesado e a música estilísticamente se situa entre o décimo segundo e o décimo quarto álbuns de estúdio pois bebe de diversas fontes sem comprometer alguma.
08 Obey The Call: Uma das melhores músicas do álbum. Com influência clara do quarto álbum de estúdio, Rust In Peace, especialmente no que diz respeito ao trabalho de guitarra e no ritmo. Breakdowns sólidos, bases precisos e uma estrutura coesa são as características que tornam essa a canção mais pesada do trabalho e que provavelmente será a mais lembrada pelos fãs.
09 I Am War: Música com ritmo moderado conduzida pelos vocais e sustentada por um refrão cativante e uma transição limpa de guitarra que antecede o próximo refrão. Uma música que se encaixa perfeitamente no álbum e o torna ainda mais fluído.
10 The Last Note: Como o nome sugere, a música The Last Note representa o final da banda. Melancólica e suave, obviamente em tom de despedida. Música que dá vontade de revisitar o catálogo da banda por causa de seus riffs e transições e de tudo o que o vocalista e os músicos que passaram pelas diferentes formações construíram com o passar dos anos.
11 Ride The Lightning: A inclusão dessa releitura dividirá opiniões. Dave Mustaine dedicou parte considerável de sua vida musical criticando o Metallica e agora sua fixação está permanentemente ligada ao último álbum de estúdio de sua banda. Não obstante as alegações de que a versão original da música seria mais pesada e rápida, o resultado dessa versão é uma música menos agressiva e mais suave. Artisticamente válida por causa de sua criatividade. O som da guitarra está mais polido, mas a intensidade diminuiu e é difícil perceber a mesma energia. A agressividade, paixão e urgência que definem a música estão ausentes.
O compositor, guitarrista e vocalista Dave Mustaine merece crédito. Ele foi expulso do Metallica, recomeçou do zero ao fundar o Megadeth e transformou o grupo em um dos representantes mais importantes do gênero musical trash metal. Essa conquista que pouquíssimas pessoas alcançam se deu com o tempo e o Megadeth deixou de ser conhecida como a banda formada pelo guitarrista expulso do Metallica para ser reconhecida pelo seu próprio catálogo, base fiel de fãs, diferentes formações e uma forte identidade. Parcela considerável dos fãs do Megadeth separa o trabalho entre as duas bandas sem se incomodar com a antiga rivalidade, mas outros constroem uma cerca entre as duas bandas e ignoram um dos nomes. O documentário Some Kind of Monster mostra que ele nunca superou a expulsão e mesmo com a tentativa pacífica de encontro no evento Big Four of American Trash Metal que aconteceu em 2011, no Yankee Stadium em Nova Iorque que reuniu as bandas Anthrax, Megadeth, Metallica e Slayer ficou claro que Mustaine nunca superou completamente o ressentimento. Dito isso, a parte mais comentada nas últimas semanas desse último trabalho é a versão cover de Ride The Lighting que inegavelmente ofuscou a obra com incontáveis manchetes sensacionalistas. Se por um lado a decisão impulsiona o apelo da divulgação, prejudica o álbum no quesito artístico. Sem a música, esse item do catálogo se torna uma despedida adequada que reflete a evolução e a histórica do Megadeth que passou por diversas mudanças em sua formação, alterações que refletiram diretamente nas transições estilísticas.
