A banda estadunidense Dirty Rotten Imbeciles se apresentou no Tork N’ Roll em Curitiba no dia 19 de março de 2026, Essa foi a terceira vez que o grupo se apresentou na capital paranaense. Sua última passagem pela cidade foi no dia 13 de abril de 2011 no extinto Hangar Music Hall e a primeira, no dia 15 de janeiro de 1997, no Aeroanta, famosa casa de shows da cidade que foi muito relevante na década de noventa. O evento, organizado pelo Basement Cultural promoveu um encontro entre diferentes gerações de apreciadores do hardcore e do heavy metal e transformou o maior bar da América Latina em um campo de batalha sonoro.

A casa de entretenimento abriu as portas pontualmente para um número baixo de pessoas que aguardavam do lado de fora. O público, formado por pessoas que acompanharam o D.R.I. desde o começo dos anos oitenta e por uma nova geração de jovens fãs do gênero musical crossover, chegou em peso somente antes do começo do show da banda paulistana Ratos de Porão, a segunda atração da noite.
A banda curitibana Tifo começou sua performance às 19:45. Em seu currículo, participação no festival Punktoberfest de 2024, em cidades do interior catarinense, paranaense, paulista e até a dividir o mesmo palco com uma banda francesa. O show foi rápido, durou menos de 20 minutos mas o mais importante foi passar uma mensagem de cunho progressista aos presentes por meio de suas músicas que harmonizam com os grupos que se apresentaram logo em seguida. A banda possui um ano importante pela frente, pois lançará seu primeiro álbum de estúdio, Apocalipse Demorô, nos formatos digital e físico e CD ainda no primeiro semestre. Duas de suas músicas, Feche os olhos para Gaza e Vermes do Congresso, estão disponíveis no YouTube para audição e com as letras.
- 01 Feche os olhos para Gaza
- 02 Justiça para poucos
- 03 Momento cultural
- 04 Manifesto aos fascistas de plantão
- 05 Vermes do Congresso
- 06 Apocalipse Demorô


A banda paulistana Ratos de Porão também subiu pontualmente ao palco mas com uma diferença facilmente percebida pelos fãs. Seu compositor, guitarrista e fundador Jão não estava presente. O músico foi substituído pelo amigo e roadie da banda Maurício Nogueira Pinto que foi devidamente apresentado pelo vocalista João Gordo que aproveitou a oportunidade para agradecer o empenho em tirar todas as músicas do setlist em tão pouco tempo. Jão se recupera de uma fratura na mão esquerda que o obrigou a passar por cirurgia e sessões de fisioterapia. Sua performance mostrou que o evento cravou um peso histórico: dois pilares do crossover juntos, celebrando carreiras longevas e que influenciaram muitos grupos no underground global. Para o público curitibano, o quarteto paulistano não estava como coadjuvante, mas como outra atração principal e que sempre lotava casas de pequeno porte na capital paranaense. Desde o começo do show, o Ratos de Porão mostrou o motivo pelo qual é considerado um dos grupos mais importantes do punk nacional. A interpretação das músicas foi agressiva e direta, com clássicos como Igreja Universal, Amazônia Legal, Beber até Morrer, Crucificados pelo Sistema, entre outros, todas com praticamente a mesma intensidade do começo dos anos oitenta. A performance do baixista Juninho Sangiorgio, o membro mais jovem da banda, chama atenção pela sua movimentação, precisão nas linhas de baixo e também como segunda voz. A resposta do público foi muito positiva. Os fãs da banda responderam com coro nas músicas mais conhecidas, rodas de dança intensas durante a execução das canções que seguem atuais e relevantes. Do ponto de vista musical, o show foi constante com bateria veloz, guitarra crua e o vocal rasgado de João Gordo que continua sendo o diferencial da banda. A força do espetáculo está na conexão que a banda tem com seus fãs que entendem a honestidade por trás das letras das melopeias. Essa ligação só é possível para uma banda com forte identidade nacional.
- 01 Alerta Antifascista
- 02 Morte ao Rei
- 03 Igreja Universal
- 04 Máquina Militar
- 05 Sofrer
- 06 Homem Inimigo do Homem
- 07 Amazônia Nunca Mais
- 08 Farsa Nacionalista
- 09 Colisão
- 10 Expresso da Escravião
- 11 Descanse em Paz
- 12 Paranoia Nuclear
- 13 Não me Importo
- 14 Morrer
- 15 Beber até Morrer
- 16 Crucificados pelo Sistema
- 17 Pobreza
- 18 Caos
- 19 Conflito Violento
- 20 AIDS, pop, repressão


A atração principal da noite subiu pontualmente ao palco sem nenhuma introdução. O núcleo da banda é formado pelo guitarrista Spike Cassidy e pelo vocalista Kurt Brecht, fundadores em 1982 na cidade de Houston, no Texas, e a dupla se juntou ao baixista Greg Orr e ao baterista Danny Walker para aquecer a noite curitibana. A escolha das músicas foi sábia pois englobou os álbuns de estúdio mais importantes de seu catálogo e canções clássicas como Abduction, Beneath The Wheel, I’d Rather Be Sleeping, The Five Year Plan foram as que mais provocaram frisson entre os presentes. As bases de guitarra aceleradas, bateria incessante fez com o que o público respondesse a altura com a famosa roda de dança em círculo. Enquanto a maioria admirava a performance, uma parte interagia dançando e trocando energia coletiva que não diminuiu nem na parte final do show. A performance do quarteto contribuiu para essa postura pois a interpretação das músicas se deu de forma intensa e sem grandes firulas ou produções. Essa atitude favorece o Dirty Rotten Imbeciles pois reforça a sua existência com música direta, rápida e sem concessões.
- 01 All for Nothing
- 02 Manifest Destiny
- 03 I’d Rather Be Sleeping
- 04 Commuter Man
- 05 Dry Heaves
- 06 Probation
- 07 Standing in Line
- 08 Who Am I
- 09 Hooked
- 10 Yes Ma’am
- 11 The Explorer
- 12 Karma
- 13 Acid Rain
- 14 Violent Pacification
- 15 Tear it Down
- 16 Argument Then War
- 17 Against Me
- 18 I’m the Liar
- 19 Do the Dream
- 20 Coffin
- 21 Syringes in the Sandbox
- 22 Thrashard
- 23 Mad Man
- 24 Couch Slouch
- 25 Beneat the Wheel
- 26 Suit and Tie Guy
- 27 Nursing Home Blues
- 28 I Don’t Need Society
- 29 Worker Bee
- 30 Abduction
- 31 The Five Year Plan


O saldo do evento foi muito positivo pois reuniu dois nomes do crossover nacional, internacional e deu oportunidade para uma banda local que toca o mesmo gênero musical apresentar sua música e transmitir sua mensagem de protesto. Em tempos de produções mais exuberantes, o Dirty Rotten Imbeciles mostrou que há espaço e público considerável para algo mais direto, simples e verdadeiro. O grupo se apresentou anteontem em Porto Alegre e continuará a turnê pelo Brasil amanhã no Rio de Janeiro, no dia seguinte em Belo Horizonte e terminará em São Paulo no dia 22 de março.
